Descrição
Em muitos contextos, o artesanato é visto como algo decorativo ou utilitário. No Japão, porém, inúmeros objetos foram criados para operar no mundo: proteger, organizar, substituir, preservar.
Neste ciclo de 8 encontros, o Japão será explorado a partir de seus objetos — não como peças isoladas, mas como expressões de modos de vida, sistemas de crença e transformações históricas.
As histórias partem do Período Edo, com as kokeshi tradicionais ligadas às regiões rurais e aos circuitos de viajantes, e avançam pelas mudanças da modernização no Período Meiji, até chegar ao pós-guerra e à internacionalização da cultura material japonesa.
Bonecos, amuletos, figuras populares e objetos do cotidiano revelam, ao longo do percurso:
- mitos e folclores que atravessam o imaginário japonês
- o caráter simbólico — e muitas vezes ritual — desses objetos
- a relação entre infância, formação social e cultura material
- os impactos do Período Meiji e do pós-guerra na produção artesanal
- e os deslocamentos de sentido quando essas peças atravessam o tempo e o espaço
A partir de uma coleção com mais de 600 peças de artesanato japonês, a professora Lina Saheki conduz cada encontro como um exercício de percepção:
não apenas compreender o que esses objetos são,
mas o que eles fazem — e o que continuam evocando mesmo longe de seu contexto original.
ENCONTRO 1 — O boneco como presença: entre ritual e representação
Eixos:
- Ritual vs decoração
- Corpo simbólico (Daruma, Hina)
- Ideia de substituição (boneco como mediador)
ENCONTRO 2 — Ordem, gênero e ideal: o Japão disciplinado
Eixos:
- História do artesanato japonês
- Artesanato japonês x arte ocidental
- Estética como controle social
- Musha ningyo → ideal masculino
ENCONTRO 3 — Montanha, anonimato e silêncio: o Japão pré-industrial
O Japão antes da individualidade moderna
Eixos:
- Kokeshi tradicionais
- Sosaku e omiyague
- Artesão sem assinatura
- Economia de sobrevivência
ENCONTRO 4 — O invisível encarnado: yokai, máscaras e forças ambíguas
Eixos:
- Tengu, Kitsune, Tanuki → ambiguidade moral
- Shishimai → proteção ritual
- Máscara como transformação
🔶 ENCONTRO 5 — O Japão que foi apagado: Ainu e o urso
- Ainu
- Urso como deus
- Nipopo dolls
- Folclorização vs violência cultural
🔶 ENCONTRO 6 — Período Meiji: quando o Japão se inventa para o mundo
Tema central:
O Japão começa a performar “ser Japão”
Eixos:
- Okimono vs netsuke → função vs exibição
- Artesanato como diplomacia cultural
- Kewpie → absorção do ocidente
- Bonecas de celuloide (“CA milk”) → industrialização inicial
🔶 ENCONTRO 7 — Pós-guerra: trauma, mercado e internacionalização
Eixos:
- Ocupação americana
- Urasaki dolls
- Hong Kong como extensão produtiva
- Estética híbrida (nem Japão, nem Ocidente)
🔶 ENCONTRO 8 — Longevidade, sorte e permanência: o tempo no Japão
- Casal Takasago (ligação com Teatro Noh)
- Hime Daruma → feminino e resiliência
- Shichifukujin
Sobre a Mediadora
Lina Saheki é pesquisadora e professora de cultura asiática, com mais de 15 anos de experiência em ensino e curadoria. Fundadora e diretora do Centro Ásia Brasil, é tradutora de Kenji Miyazawa e homenageada pela Câmara de Vereadores de Curitiba por seu impacto cultural e social. Foi também curadora da mostra “Objetos que Fizeram a Travessia: Memórias do Artesanato Japonês no Brasil”, realizada no SESC Londrina, e é colecionadora de artesanato folclórico japonês, reunindo mais de 500 peças que inspiram suas pesquisas e projetos curatoriais. Idealizadora da Casa do Jizō, espaço dedicado à memória e ao artesanato da imigração japonesa, Lina atua na mediação entre arte, filosofia e espiritualidade, promovendo um olhar sensível sobre o cotidiano.














