Descrição
Título: A camisola de batizado
PREFÁCIO - Uma verdadeira obra de arte
"A camisola do meu batizado era feita de cambraia de linho, puro e leve. O nome dado, desde épocas antigas, à camisola do batizado, usado por várias gerações de crianças da mesma família é MANDRIÃO.
Roupinha bordada com efeitos refinados e enriquecida com rendas, nervuras e enfeites, acompanhada de pequena touca, sapatinhos e manta, era uma verdadeira obra de arte.
Desde cedo ouvi a história que meu mandrião viera do Recife, encomendado pela bisavó Maria Carolina às freiras do Colégio Mãe de Deus. Ao entregar a camisola, as religiosas abençoavam a peça e intenções de vida serena de paz e saúde para todos os que fossem batizados com aquele mandrião. Entregavam numa caixa de madeira perfumada, forrada de cetim branco, e pediam, contando ser de praxe, que cada criança que fosse batizada com aquela roupinha tivesse seu nome bordado na barra.
Fui a primeira de uma longa série de nomes. Segundo consta dos relatos familiares, fui batizada na Igreja Santa Teresinha, no Rio de Janeiro, num domingo de muito sol. Meu nome foi bordado na base do mandrião com uma linha rosa clara para dar maior destaque. Com o passar dos anos, a barra da camisola, como as contas de um rosário, teve muitos nomes acrescentados. Um a um os pequenos deixaram suas marcas. Nomes e memórias costuradas e bordadas. Meninos e meninas, diversos destinos foram registrados para conhecimento posterior.
Patrícia, Agelia, Lucia, Ricardo, Fernanda, Julia, Maria Cecília, Paloma, Gabriel, João Vitor, Rebeca, Pedro eram alguns desses nomes. As famílias antigas também usavam o repertório de nome no mandrião para a escolha dos nomes para os próximos rebentos da família.
Essa é a pequena história de uma camisola que leva o nome de Mandrião. Espero que gostem."
Regina de Barros Correia Casillo - Diretora fundadora do Solar do Rosário e membro da Academia Parananese de Letras.
Livro acompanha caneca












